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Uma carta aos jovens pesquisadores

Uma carta aos jovens pesquisadores

 

Caros colegas focados em informações,

Em breve estarei começando meu trigésimo quinto ano em nossa "ocupação". Minha primeira tarefa como pesquisadora missionária no Brasil foi preencher os campos vazios de um banco de dados sobre as estruturas das organizações brasileiras de envio missionário. Minha tarefa mais recente foi editar um relatório qualitativo feito por um pastor africano sobre as conclusões tiradas de entrevistas com líderes religiosos da Tanzânia. Nestes anos todos, escrevi pesquisas, fiz pesquisas em bibliotecas, ajudei a organizar grupos de discussão, conduzi entrevistas e brinquei com mapas (principalmente ajustando cores e intervalos, já que não sou proficiente em SIG). Organizei conferências de pesquisa e sugeri tabulações cruzadas em esforços desesperados para fazer com que dados mudos pronunciassem algo significativo. Orei com colegas que estavam cansados e desanimados, querendo apenas terminar seu projeto, não importava o resultado. Eu tenho amado o meu trabalho e espero continuar até que meus netos não me peçam mais para lhes contar fatos interessantes sobre lugares longínquos.

Se eu pudesse dizer alguma coisa para o meu “eu” mais jovem, meu conselho para ela e para vocês, que são meus amigos pesquisadores mais jovens e contemporâneos agora, seria:

1) Escreva, escreva, escreva! Compartilhe no que você está trabalhando, mesmo que ainda esteja em andamento (isso é especialmente pertinente se a sua voz for minoritária e sua língua materna não for o inglês.) O mundo precisa ouvir sobre sua pesquisa e sua perspectiva sobre por que é importante! Descreva-o. Convide comentários e colaboração. Comece um blog. Peça para colocar um ou dois parágrafos na comunicação interna da sua organização. Poste onde será visto. Escrever (quer seja por palavras ou, cada vez mais, por recursos visuais) ainda é a melhor maneira de fazer contribuições de impacto. Se estiver conduzindo qualquer tipo de investigação e se o assunto permitir, você dará vida às suas conclusões ao compartilhá-las com outras pessoas (você vai até se beneficiar com a própria revisão do seu trabalho, pois a escrita disciplina o pensamento). É claro que isso pode ser complicado, pois você precisará respeitar os protocolos de disseminação de informações e solicitar permissões de vários tipos. Mesmo assim, eu gostaria de ter escrito mais durante os meus primeiros anos, quando novas descobertas me atingiram como raios. Poderíamos ter dado aos nossos projetos de pesquisa mais energia para fomentar a verdadeira transformação do Reino.

A consequência, claro, é ler muito. Procure o trabalho dos outros - tantos quantos você puder ler. E leia amplamente, de todas as disciplinas. O Reino merece nossos melhores esforços de pesquisa, informados pelas percepções mais apuradas e das fontes mais confiáveis.

2) Aproveite suas descobertas. Seu prazer por elas fará com que você as compartilhe com maior entusiasmo, e seu potencial de impacto aumentará. Lembro-me do estudo de crescimento que fizemos em uma das prósperas novas igrejas de São Paulo. Calculamos as AARGs (taxas médias de crescimento anual, Average Annual Growth Rates em inglês), plotamos a frequência anual e, NOSSA! O que causou esse declínio dramático no ano X? Imagine nossa empolgação quando soubemos, ao entrevistar o pastor, que X era o ano em que a pessoa responsável pelo ministério de grupos pequenos saiu. Nossos números comprovaram o treinamento que nossa organização estava fazendo para promover o crescimento de pequenos grupos. Ficamos em êxtase! (Uma nota triste: poderíamos ter compartilhado amplamente a riqueza dessa descoberta se simplesmente tivéssemos pedido permissão para publicar esse estudo de crescimento. Infelizmente, nunca o fizemos. Veja o nº 1 acima.)

Aviso: se você se engajar no nº 2, poderá desenvolver a reputação de iniciar todas as conversas com "Você sabia ...?" As pessoas podem acusá-lo de ser um Eneagrama Tipo 5. É estranho encontrar alegria nos dados? De maneira nenhuma! Lembre-se de quantas vezes Jesus nos disse para observar, ponderar, "considerar" (Mateus 6:28; Lucas 12: 24). Temos Sua permissão, mesmo Seu comando, para meditar sobre nossas descobertas com gratidão e alegria.

3) Valorize sua equipe. A natureza do nosso trabalho, que muitas vezes exige atenção cuidadosa aos detalhes, pode nos levar ao isolamento. A natureza das pessoas envolvidas em informações pode tender à introversão (de nossa equipe de pesquisa atual de quatorze, apenas dois testam como extrovertidos MBTI). As vantagens práticas, profissionais e pessoais de trabalhar com uma boa equipe estão bem documentadas. Portanto, se você não tiver, encontre uma. Se você não conseguir encontrar, por favor, crie uma. Talvez construa duas - uma que funcione com você e outra que ore por você. Compaixão, camaradagem, responsabilidade, criatividade - as bênçãos de uma equipe amorosa são como ouro para mim.

4) Resista ao desânimo. Mesmo que o público-alvo não aceite sua análise e não faça mudanças imediatas como resultado de sua pesquisa, no futuro poderá ser diferente. Ou não. Outras pessoas poderão aceitar. Os relatórios de pesquisa são famosos por sua capacidade de coletar poeira, mas também podem carregar uma autoridade que vai além de seu escopo inicial. Alguns de nossos conjuntos de dados têm potencial para mudar o mundo. Outros podem acabar tocando um relacionamento solitário, ou mesmo transformando uma única conversa que acontece no contexto do ministério. Pode ser que muito do que você escreveu seja lido por poucas pessoas (e seus apêndices podem nunca ser lidos na íntegra). Mas ... você pode descobrir que aquela pergunta que fez, apenas às pessoas certas, da maneira certa, revelou uma verdade que se tornará revolucionária. Apegue-se à realidade de que todo projeto de pesquisa que você empreendeu criou um contexto para aprender e / ou revelou uma verdade que estava oculta. Se você puder fazer isso, poderá recuperar a motivação para perseverar, mesmo quando parece que está se arrastando pela lama metodológica.

Pesquisa é indagar (perguntar), muitas vezes de maneiras muito intencionais (buscar) e geralmente requer uma boa dose de persistência (bater na porta). Recebemos a promessa de resultados de nossos esforços (Mateus 7: 8), então, para meus jovens amigos pesquisadores, e para mim mesma, digo: "Com a ajuda de Deus, vamos continuar."

 

Estefânia Kraft é membra de nossas equipes editoriais e de facilitação do CMIW. Ela e seu marido Lourenço moram no Reino Unido e são membros da Equipe de Pesquisa Global da OC International (SEPAL).

 

"O que você acha?"

Boletim “O que você acha?”. Texto publicado no boletim trimestral da Comunidade Global focada em Informações para Missões. No Volume 11, Número 2, Abril 2021. Veja todo o boletim em https://www.globalcmiw.org/pt-br/cmiwbulletin.

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