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Desafios Social e Cultural na Mobilização Missionária

Desafios Social e Cultural na Mobilização Missionária

Quando pensamos em iniciativas missionárias, não raro ouvimos um debate ou desencontros sobre o que seria mais importante ao nos aproximar das pessoas para quem almejamos revelar o reino do Nosso Senhor: desafios sociais ou pontes culturais devem ser nossa prioridade? E isto afeta diretamente a mobilização missionária.

Não entendo muito bem o tempo que muitas vezes gastamos discutindo essas questões, mas compreendo que por vezes as discordâncias existem menos do que parece. Vou olhar para solução, não para os pontos de vistas divergentes comumente apresentados, tudo bem? Vamos lá! Ao falarmos da missão de Deus, nos referimos a um Deus em movimento, que intervém e dialoga com a sua criação, e que no final quer que todas as coisas sejam restauradas como quando do momento em que as criou (Cl 1,19-20). Deus está preocupado com todas as coisas, e evidentemente se dedica à restauração do equilíbrio social, Isto não quer dizer que todos teriam as mesmas condições financeiras, mas que ninguém deveria sofrer consequências por não ter condições econômicas de arcar com um mínimo necessário para uma vida saudável. Ninguém deveria sofrer efeitos dessa pobreza, tampouco ter acesso a serviços públicos obrigatórios com menor qualidade. Deus se preocupa com isso. A Igreja deve se preocupar também.

Já as barreiras culturais são verdadeiros obstáculos que precisam ser superados, não pela sobreposição de uma cultura (normalmente a do emissário), mas pela contextualização da Mensagem. A contextualização traz riscos de sincretismo ou construção de heresias, mas são com esses alertas que o missionário deverá lidar enquanto se dedica a revelar Cristo. Está aí um importante quadro que reforça a necessidade do treinamento teórico e prático antes do envio para o campo definitivo. Lembro que algumas agências têm treinado em campo intermediário por entenderem agregar muito para o aperfeiçoamento do candidato, mas também têm surgido alguns novos pensamentos sobre usar direto o campo final no fechamento do ciclo de capacitação, neste caso o novo missionário receberia a mentoria de perto de equipes mais experientes. Algo para acompanhar.

Desafios sociais e necessidades de pontes culturais não deveriam ser colocadas em oposição na estratégia missionária, muito menos devem ser reforçadas por aqueles que se dedicam à mobilização. São facetas da mesma missão e precisam ser consideradas em conjunto, desde que não se perca a prioridade da revelação de um salvador e Senhor. Junto-me às diferentes vozes que já reforçaram a afirmação de que o missionário deve discernir o que Deus está fazendo. A missão não começa nele, mas no Dono dessa missão. Da mesma maneira, o mobilizador deve perceber qual é o ponto de contato que aprouve ao Senhor criar entre ele e a organização/igreja. É por ali que ele deve entrar!

Vemos um maior investimento de energia na mobilização dentro das igrejas, porque aqueles que se reúnem em agências, em tese, já estariam mobilizados para a ação missionária. Em todos os casos, entretanto, rediscutir nossos papéis naquilo que Deus está fazendo no mundo e pensar como cooperarmos para que a missão, e não só um projeto institucional, avance, justifica sempre a aproximação das partes. Mobilizar é também aumentar a força missionária pelo conhecimento do que é comum às organizações e igrejas atuantes. Como podemos andar juntos, mesmo que em projetos diferentes? É uma boa pergunta e norte para os que se dedicam a mobilizar. Alguns projetos podem ser a partir de uma necessidade social, outros, da divulgação da Mensagem de forma contextualizada. Seja qual for o modo, a cooperação nos fará ser mais eficientes. A atuação de diferentes atores realçará nossa comunicação (Jo 17,21).

A dica para solução é relacionar-se. Relacionemo-nos com aqueles que queremos comunicar o Evangelho ou mobilizar para missões. Ouvir é uma boa técnica, logo após ter comunhão com Deus e com a Igreja de Cristo. Assim, compreenderemos por qual caminho o Senhor está andando para se mostrar aos que não ouviram ainda ou por meio de quem Ele vai se revelar. O mobilizador se dedica principalmente ao segundo agente, comumente uma instituição, logo não tenha muita pressa, e sirva! Assim você será usado sobremaneira pelo Espírito do Nosso Deus para criar pontes e potencializar a revelação de Cristo, seja por encontrar apoio no atendimento de uma necessidade social, seja por juntar forças para identificar a melhor contextualização da Palavra. 

Mobilização

Projeto Mazi
Felipe Perrelli
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Felipe Perrelli atua no Recrutamento da MIAF – Missão para o Interior da África, compõe o corpo diretor da Missão Evangélica BASE e coordena a Mobilização da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileira.

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