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"Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco."

“Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os meus sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos,”2Timóteo1.8-9

É interessante perceber que apesar de falarmos tanto sobre vocação a palavra só é usada no Novo Testamento pouquíssimas vezes, mas isso não retira de forma alguma a enorme importância que ela representa na vida do Cristão. Nos acostumamos na verdade de usar o termo vocação para identificar na maioria das pessoas a tendência ou a inclinação de um indivíduo a uma profissão específica ou para desempenhar uma determinar função, que na verdade está correto no âmbito de nossa língua portuguesa.

Mas ao pautamos o significado da palavra no contexto bíblico perceberemos que o o chamado aqui é que por sua vez é incontestavelmente destinado a todos os cristãos. Ronaldo Lidório disse:

Na palavra de Deus todos os discípulos de Cristo são chamados – convocados – para segui-lo e em todo o Novo Testamento, vemos que Deus chama para muitos propósitos.

Então precisamos reconhecer que todos nós, cristãos autênticos, que reconhecemos Jesus como nosso Salvador e Senhor, fomos chamados por eles para o que o apóstolo Paulo descreve a seu querido discípulo Timóteo, como uma vocação santa. E podemos nos perguntar então: chamado santo? Mas para que? No início do verso 8 Paulo diz que seu chamado é para testemunhar Cristo e no verso 11 ele diz que foi por isso que ele se tornou, “pregador, apóstolo e mestre”.

Todos nós fomos chamados para testemunhar de Cristo. Somos vocacionados, chamados para dar cabo a pregação, o anuncio das boas novas do evangelho que é a mensagem de salvação em Cristo Jesus.

Em toda história vemos relatos de Deus chamando diferentes pessoas para o cumprimento de Seu plano de redenção da humanidade, foi assim com Noé, Abraão, Moisés, Josué, todos os profetas e por ai vai, mas é no contexto do Novo Testamento a partir da morte e ressureição de Cristo que “todos os redimidos são, portanto, chamados por Deus e para Deus.”

A partir de Cristo, todos nós somos chamados a exemplo do apóstolo Paulo para dedicarmos nossas vidas incondicionalmente para que Cristo seja proclamado e Seu Reino seja estabelecidos entre as nações.

Eu tenho servido com AIM – Africa Inland Mission por mais de 20 anos como missionário e a história de seu fundador Peter Cameron Scott tem sido uma inspiração para minha vida, quando estou diante de momento que querem me fazer desistir de prosseguir com minha vocação.

Peter Cameron Scott, sentiu um desejo profundo em servir ao Senhor na África e em 1895 foi para o Quênia, mas meses depois da sua chegada ele é acometido por malária e se vê obrigado a voltar para a Inglaterra, depois de ser revigorado em sua saúde ele volta ainda mais animado por que desta vez seu irmão John está com ele e então eles chegam ao continente africano novamente. Mas, depois de mais um tempo seu irmão morre vitima de febre tifoide, e mesmo diante do túmulo de seu irmão ele decide permanecer e continuar o trabalho, mas logo depois ele é acometido de febre tifoide e retorna frustrado, triste se perguntando porque?

E é na abadia de Westermister em Londres, ajoelhado aos pés da tumba de David Livingstone que ele lê o texto de João onde Jesus diz:

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também.”

Diante daquela frase, depois de orar e ser novamente curado, ele volta e continua com o firme propósito de levar a mensagem do evangelho aos povos não alcançados da África e sua fé, perseverança e obediência ao chamado resultaram no surgimento da AIM/ MIAF contando hoje com centenas de missionários, espalhados em mais de 26 países entre diversos povos não alcançados.

O que deve nos mover é exatamente o fato que ainda existem ovelhas perdidas, sem pastor que necessitam ser trazidas ao aprisco do Bom Pastor temos desafios enormes em todo mundo, mas mesmo aqui dentro do Brasil temos identificados povos com pouco acesso ao evangelho como é o caso dos Ribeirinhos, Indígenas, Ciganos, Sertanejos, Quilombolas, Surdos e sem mencionar a grande quantidade de imigrantes que chegam ao Brasil todos os meses. Esses devem ser os alvos da nossa vocação do nosso chamado.

Precisamos criar estruturas de envio saudáveis que possam ajudar àqueles que Deus está direcionando para estes grupos garantindo que eles tenham as condições necessárias para estar entre eles exercendo o trabalho missionário, neste sentido é nosso papel como igreja providenciar não só a estrutura necessária para que possamos aumentar o número de trabalhadores entres estes grupos que exigem um preparo adequado para os diferentes contextos em que eles estão inseridos, mas também criar em nossas comunidades mecanismos de identificação daqueles que Deus está chamado.

Na verdade, eu diria mais, diria que a igreja não só deve identificar como ratificar e provar nossos candidatos aos campos missionários. A igreja tem um papel fundamental neste sentido, pois como diz menciona o pastor Jarbas Ferreira da Silva:

“...basta dizer que ninguém pode se aventurar a sair para um trabalho num campo estrangeiro, sem antes ter demonstrado por frutos e obras, ter uma vida séria diante de Deus e da igreja. Isto inclui a demonstração de talentos, dons e capacidades dadas por Deus, o serão o combustível de trabalho no campo missionário. Acreditar que alguém pode ser uma bênção longe, sem tê-lo sido perto, pode redundar em grande erro e consequências desastrosas.”

A igreja e o lugar onde homens e mulheres são experimentados no ministério, é no ambiente da igreja local que podemos identificar tais candidatos. Desta forma igrejas e agencias missionárias precisam caminhar juntas, lado a lado para o desenvolvimento da missão.

Quero desafiar você a se engajar prontamente na tarefa de proclamar a mensagem de salvação aos povos, deixando que Deus possa usar sua vocação (habilidade) para o exercício da santa vocação (chamado) de Deus para que todos os povos possam glorificar o seu Santo nome.

Projeto Mazi
Paulo Feniman
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Paulo Feniman é pastor presbiteriano. É Diretor Executivo da MIAF – Missão para o Interior da África, presidente da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileira e fundador do PROJETO MAZI.

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