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LUCAS 10 E A ORAÇÃO MISSIONÁRIA

LUCAS 10 E A ORAÇÃO MISSIONÁRIA

A primeira orientação aos setenta e dois discípulos em Lucas 10 é para que eles invistam seu tempo em oração. A oração no desenvolvimento do ministério missionário é fundamental para o bom andamento do mesmo. Jesus lhes disse: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Ro- gai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” 5Ele é o Senhor da seara e os campos da seara pertencem a ele! Através da oração ele nos honra convidando-nos a fazer parte do seu trabalho.

Peter Cameron Scott, o fundador de MIAF (Missão Para o Interior da África), há 125 anos, tinha a oração como fundamental no seu ministério. Ele chegou em Mombasa em 1895 mas, depois de alguns meses, foi obrigado voltar aos Estados Unidos para se recuperar de uma doença. O navio dele parou em Londres e ele entrou na famosa abadia de West- minster, onde está sepultado David Livingstone, o grande explorador missionário escocês.

Peter Scott parou em frente do túmulo de Livingstone e viu escrito lá: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim convém conduzi-las...”. Ele ajoelhou-se ali mesmo e dedicou novamente em oração sua vida para ganhar as tribos da África, na plena confiança de que Jesus iria trazer essas outras ovelhas, e que ele e sua equipe missionária tinham uma parte nisto. Portanto, depois de recuperar-se, voltou para a África, e lá faleceu algum tempo depois de malária, mas a visão dele continua até hoje. É somente Deus, que através da oração, capacita ho- mens e mulheres a levar a cabo a tarefa missionária.

A oração deve exercer um protagonismo na vida daqueles que que- rem ver as nações alcançadas com o evangelho de Jesus. No desenvolvimento ministerial, é a oração que nos ajuda a permanecer firmes diante das dificuldades que enfrentaremos.

Nesse sentido não só o missionário deve exercer uma vida piedosa de oração, mas também a igreja que o envia e/ou apoia. Ao longo da minha caminhada, tenho tido a grata experiência de perceber como os movi- mentos de oração são fundamentais para que a obra missionária avance.

Anos atrás lançamos um movimento de oração por um povo não alcançado e espalhamos milhares de marca-páginas com pontos específicos de oração. Em pouco tempo tínhamos algumas igrejas que ha- viam adotado esse povo em oração; mais tarde essas mesmas igrejas já estavam envolvidas também no suporte financeiro. Tínhamos um movimento de oração e recursos, mas não tínhamos missionários para enviar. Foi aí que a oração de Lucas 10.2 começou a surtir efeito; depois de algum tempo de oração, Deus nos enviou dois casais interessados em servir entre esse povo, e anos mais tarde tive o privilégio de visitá-los no campo e conhecer alguns dos primeiros cristãos daquela etnia que haviam conhecido o evangelho através da pregação deles. Todo esse movimento teve seu início num grupo de irmãos que fervorosamente oraram para que o evangelho alcançasse aquele povo.

Eu sinto falta de movimentos de oração por adoção de povos. Anos atrás o movimento Adote um Povo foi um movimento mundial que levou igrejas em diferentes lugares do mundo adotarem PNAs – povos não alcançados. Creio que precisamos resgatar de forma mais incisiva essa prática de oração, clamando para que Deus aja com poder, movendo sua igreja em direção a esses povos, fazendo com que as boas novas do Reino cheguem a todos os povos.

Patrick Johnstone, em seu livro Intercessão mundial, nos fala das oposições que enfrentamos na caminhada missionária e como a oração é a chave para avançarmos, e como ela nos traz a resposta para a neces- sidade missionária.

A oração não apenas muda pessoas, situações e até mesmo o curso da história. Ela muda também aqueles que oram! É perigoso para o inimigo e também “perigoso” para você. Há um preço a ser pago por ser uma pessoa que se coloca na brecha entre os homens caídos e o Deus justo. Esse preço pode significar tornar-se uma resposta às suas próprias orações doando tempo, recursos e mesmo saindo como testemunha em sua Jerusalém (onde você mora) sua Judéia (seu próprio país), sua Samaria (outro grupo étnico em seu próprio país) ou nos confins da Terra.

Jesus nos ensina que os que devem ir, também devem estar envol- vidos em oração. Que devem orar para que o mesmo Deus que envia, possa levantar mais trabalhadores. Sendo assim, a igreja deve ir e também deve orar.

 

Este texto é parte do livro “Re-encontrando o caminho da missão” que será lançado no próximo mês, se você quiser adquirir e com isso contribuir com nosso trabalho missionário, participe da pré-venda
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Projeto Mazi
Paulo Feniman
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Paulo Feniman é pastor presbiteriano. É Diretor Executivo da MIAF – Missão para o Interior da África, presidente da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileira e fundador do PROJETO MAZI.

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