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LIÇÕES PARA NOSSO APRENDIZADO

LIÇÕES PARA NOSSO APRENDIZADO

Essa semana o relatório final sobre o caso de Ravi Zacharias[1], envolvendo pornografia, assédio sexual, uso indevido de recursos e até uma acusação de estupro foi publicado pelo conselho do RZIM[2]. Os relatos são tristes, chocantes, para não dizer desoladores.
Mas o que tudo isso tem para nos ensinar? O que nós, que exercemos liderança, podemos aprender com essa trágica história que traz tanta dor e sofrimento? Isso poderia acontecer comigo? Poderia acontecer com você ? Claro que poderia!
Você ama o Senhor, mais do que o rei Davi? É mais sábio do que o rei Salomão? Se a resposta for não, então você está vulnerável.

Ninguém está isento
A primeira lição é essa; não estamos isentos de cairmos nas armadilhas que satanás astutamente coloca diante de nós. Alguém poderia dizer, eu estou protegido pois sou um homem ou uma mulher de oração, estou profundamente envolvido ministerialmente e por isso estou livre de quaisquer uma dessas armadilhas.
Eu tive a oportunidade de ouvir Ravi Zacharias várias vezes e tenho certeza que ele mantinha uma vida de oração, leitura bíblica, era profundamente ativo ministerialmente. Mais ainda sim ele se viu sugado pela prática da pornografia e do envolvimento sexual fora do casamento.
Todos nós, sem exceção, precisamos nos manter vigilantes; basta uma passagem rápida para nos lembramos que mesmo o Rei Davi, um homem segundo o coração de Deus, se viu tentado e sucumbiu a essa tentação tomando para si uma mulher que não era a sua, provocando inclusive uma tragédia familiar ao promover a morte do marido de sua amante.
O apóstolo Paulo nos lembra em sua carta as Coríntios – “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” Precisamos nos cuidar.

Confesse suas lutas
Muitos de nós, líderes, fomos levados a crer que confessar nossas lutas é sinônimo de fraqueza ou que demonstrará falta de autoridade. A fraqueza está na verdade no fato de escondermos algo que nos faz tão mal e que não temos coragem de lidar e trazer a luz.
Claro que para isso precisamos estar inseridos num ambiente de cura e perdão mútuo. E muitos líderes estão escondidos e isolados em situações como essa porque, apesar de pregarem que a comunidade cristã é o lugar de restauração e cura, não encontram para si esse ambiente.
Mas não podemos ficar calados; é preciso confessar nossos pecados e lutas e nossa incapacidade de lidar com isso sozinhos, pois, no final, é sobre isso que se trata. Muitos estão sofrendo lutas tremendas sozinhos e estão se afundando cada vez mais, como um poço de areia movediça. As sábias palavras do Salmista nos alertam:

 

“Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca.” Salmos 32.3-4


Se você não pode contar com seus líderes mais próximos, busque alguém de fora do seu contexto ministerial com quem possa conversar e confessar, mas não deixe de falar!

Preste Contas
Desde muito cedo em meu ministério aprendi que a prestação de contas é algo fundamental para o exercício de uma boa caminhada. Ter alguém para compartilhar a vida, para dar o direito de cobrar quando necessário é fundamental.
Sozinhos corremos o risco de não enxergarmos nossos próprios erros, pois há momentos que ficamos cegos até mesmo pelo nosso ministério.
Todos nós temos uma enorme capacidade de auto-engano. Podemos facilmente ver problemas em outros, mas é muito difícil vermos em nós mesmos.
Provérbios nos alerta quanto ao fato de andarmos sozinhos:

“quem sai à guerra precisa de orientação, e com muitos conselheiros se obtém a vitória.”Prov 24.6

Prestar contas é mais do que dar a alguém o controle de sua vida, mas sim compartilhar suas fraquezas e medos para crescimento e sucesso ministerial.
Se líderes não têm nenhuma restrição em seu poder, eles sempre estarão em uma posição perigosa . O poder é uma droga poderosa , que nos intoxica em excesso.
No entanto, prestação de contas é um poderoso antídoto contra o abuso de poder, questões ligadas ao dinheiro e pecado sexual.

Sexo não o único monstro que nos ronda
É verdade que o sexo e a pornografia são situações que trazem muito mais repercussão, mas é preciso lembrar que existem outros pecados que nos rondam que também precisam da nossa atenção.
O apego ao poder, ao dinheiro, a mentira, tudo isso está ao nosso redor e precisa da nossa atenção.
Por isso é preciso estar atento não só aquilo que tem uma maior aparência de pecado, mais aos erros do dia a dia que também prejudicam pessoas, trazem mágoas e podem minar a autoridade que é exercida por nós.

Não nos deixemos enganar; hoje se fala muito de santidade como uma fórmula que acontece como um passe de mágica. É exatamente essa mística em torno da santidade que faz com que cada vez mais sejamos atacados e tenhamos tantas decepções.
A santidade é exercida através de um relacionamento profundo com Deus, mas com um espírito de humildade, reconhecendo nossa natureza humana e nossa necessidade de nos submetermos uns aos outros em amor, sem medos, sem receios de assumir nossos erros, enquanto ainda há tempo de perdoar e ser perdoado, de curar e ser curado.
Essa não é uma questão somente para nós líderes; essa é uma questão que deve ser tratada e abordada com todos os cristãos que professam sua fé em Jesus e querem viver de forma piedosa.

“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente,” Tito 2. 11-12

 


[1] https://folhagospel.com/ravi-zacharias-investigacao-revela-abuso-sexual-de-diversas-mulheres-e-uma-alegacao-de-estupro/

[2] Ministério Internacional Ravi Zacharias

 

Projeto Mazi
Paulo Feniman
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Paulo Feniman é pastor presbiteriano. É Diretor Executivo da MIAF – Missão para o Interior da África, presidente da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileira e fundador do PROJETO MAZI.

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